Invejinha

"Pensamos e sentimos do mesmo modo sobre estas coisas e arrancamo-nos a todo o momento as palavras e os pensamentos da boca. Temo-nos literalmente matado a conversar durante estas três semanas, e o mais notável é que, de súbito, ele se tornou capaz de falar cerca de dez horas por dia. (...) É estranho que as nossas conversas nos dirijam involuntariamente para os abismos e para esses lugares de vertigem aos quais por vezes um de nós ascende sozinho, espreitando as profundidades. Escolhemos regularmente os caminhos das cabras selvagens, e se alguém nos ouvisse julgaria que éramos dois diabos a conversar."
Um Olhar Para Trás, Lou Andreas-Salomé
(falando de seu amigo Nietzsche)

Pois é!

Compreendo.


"O mundo das paixões é o mundo do desequilíbrio. Cuidem-se os apaixonados, afastando dos olhos a poeira ruiva que lhes turva a vista. Erguer uma cerca, guardar simplesmente o corpo. São esses os artifícios que devemos usar para impedir que as trevas de um lado invadam e contaminem a luz do outro. É através do recolhimento que escapamos ao perigo das paixões."
Lavoura Arcaica, Luiz Fernando Carvalho

Frase do dia

"The world shall perish not for lack of wonders, but for lack of wonder."
J. B. S. Haldane

Qualia and Self



Vilayanur Ramachandran
Qualia = qualidades subjectivas das experiências mentais

O cérebro é plástico


(clicar na imagem para ampliar)


(clicar nas imagem para ampliar)
Mais Sobre o livro.

Uma palestra do autor:


(o resto está no Youtube)

O documentário, "Changing Your Mind"

Coisas que circulam por aí

Também vou querer

"A segunda pessoa a sugerir que psicadélicos podiam ser úteis para indivíduos moribundos não foi um médico, mas um filósofo e escritor Aldous Huxley. Estava profundamente interessado tanto em experiências místicas induzidas por psicadélicos como em problemas relacionados com a morte e o morrer. Em 1955, quando a sua primeira mulher, Maria, estava a morrer de cancro, utilizou uma técnica hipnótica para a pôr em contacto com as memórias de várias experiências extáticas espontâneas que tivera durante a vida. O objectivo explícito desta experiência era facilitar a sua transição através da indução de um estado de consciência. Esta experiência inspirou a descrição que Huxley faz de uma situação similar no seu romance, A Ilha, onde o medicamento moksha, 100 microgramas de LSDuma preparação feita com cogumelos psicadélicos, é utilizado para ajudar Lakshimi, uma das personagens centrais, a enfrentar a morte. [...] Em 1963, quando o próprio Huxley estava a morrer de cancro, demonstrou a seriedade da sua proposta. Várias horas antes da sua morte, pediu à sua segunda mulher Laura que lhe desse de modo a facilitar o seu processo de morrer. Esta experiência comovente foi mais tarde descrita no livro de Laura Huxley, Este Momento Intemporal (1968). A sugestão de Aldous Huxley, embora poderosamente ilustrada pelo seu exemplo pessoal, não teve durante vários anos qualquer influência nos investigadores médicos. A contribuição seguinte para esta área adveio de uma fonte inesperada e não estava relacionada com o pensamento e a escrita de Huxley."A Psicologia do Futuro, Stanislav Grof


"Long before "turn on, tune in, drop out" became the credo of the American counterculture, Aldous Huxley was using mescaline and LSD in controlled, carefully documented experiments. Accounts of those psychedelic experiences, along with his interest in Eastern mystical religions, accompany the moving story of Aldous Huxley's later years with his wife, Laura. Huxley's fascination with the spiritual world remained with him throughout his life and never wavered through his final illness in 1963. THIS TIMELESS MOMENT takes the reader into the lively mind of one of the most profound thinkers of any generation."

GOSTO disto!!






Magnetic Project, aqui

"In the dark, it feels so real".

Hoje fui até Paris. Apesar de lá ter ido antes da meia-noite, afinal estive lá depois da meia-noite, e gostei bastante. Sobretudo de continuar a divertir-me com Woody Allen.
Aquela banda sonora... aqueles sempre belos e cuidados interiores. Tão característicos de Woody Allen. Íntimos, ricos, repletos de referências...

Sinto-me em casa, nos filmes do Woody Allen.


Para lá caminho a passos largos!

"Juntamente com a leitura, o que mais a atraía era a observação da natureza. Durante o Verão, vivia com uma alegria fogosa, e quando caía o Outono, das janelas da sua casa na cidade, conversava, como com criaturas suas iguais, com as árvores do renque de uma rua lateral, ou ficava a contemplar as variações da luz. Tinha as salas cheias de plantas de que ela própria cuidava, mas não gostava de ter animais perto de si. Na sua idade avançada, toda a posse se lhe tornou excessiva, como se fosse um atentado ao seu "estar só". Preocupava-se com a maior atenção e cheia de sentido do dever, com cada um dos objectos que eram sua propriedade, mas regozijava-se também com tudo aquilo de que podia desprender-se, sem chamar sobre si as atenções, a nosso favor ou a favor de outras pessoas. [...] Às vezes, ela parecia-me alguém que se liberta ou torna mais leve e que, com as poucas coisas que lhe restam, dá ainda presentes aos outros; afigurava-se-me que esta atitude transmitia uma postura fundamental perante a vida e a morte globalmente consideradas: por oposição ao sentimento de que a morte nos despoja, a sensação de que a riqueza é supérflua quando estamos perto de deixar de precisar dela."
Um Olhar para Trás, Lou Andreas-Salomé

da amizade



"Já que consiste em fazer com que o outro continue a ser uma espécie de mediação humana — algo como uma imagem transparente — daquilo que preenche em nós a mais profunda exigência. Porque "amizade" significa aqui o quase-único que supera as mais severas adversidades da vida: é um estar-se ali onde para ambos está o divino, compartilhando — para aprofundar — a solidão mútua, e tão profundamente que, no outro, cada um dos dois se compreende a si próprio como entregue a todo o devir humano."
Um Olhar para Trás, Lou Andreas-Salomé

DEVERAS



"Regardless of the prognosis, a diagnosis of cancer is a potent, emotive label that adds a fierce intensity to life."


A força da metáfora!
Existe em português.

Bom, eu perguntaria qual a diferença entre aquilo que espoleta limerence e erotomania. / Afinal a culpa é da dopamina


O resto do artigo está aqui.

Sobre Limerence.
Sobre Erotomania.

Entretanto, Helen Fisher, após ter desenvolvido um extenso questionário para despistar os 4 tipos de personalidade em que o ser humano se pode enquadrar, submeteu uma porrada de gente (apaixonada) a ressonâncias magnéticas ao cérebro (tudo muito científico e tal). E depois concluiu coisas mesmo muito interessantes sobre a bioquímica da atracção, cruzando os dados das ressonâncias com os dados dos resultados dos testes de personalidade a que submeteu os voluntários.

Por curiosidade, os quatro tipos de personalidade serão:
Explorer / Director / Negotiator / Builder

Eu resolvi responder ao questionário e achei o resultado surpreendente. Apenas "menti" no local de residência e Zip Code, pois não consegui que os campos a preencher aceitassem residentes fora dos EUA.

Eu inclino-me mais para a evidência da proposta de Helen Fisher.

O Homem, quando não tem explicação para aquilo que pretende explicar, inventa.
Isso é muito bom, porque puxa pela imaginação e pela criatividade. É como a história da invenção de Deus.
Depois vem a constatação científica e só se mantém agarrado a teorias quem precisar de sonhar!

(e este meu, desde que me lembro de mim, interesse por estas questões, e outras do foro "humano, demasiado humano", mais uma vez prova o tipo de personalidade em que me enquadro de forma dominante! Portanto nada de novo. Apenas mais uma constatação).

Mais, Helen Fisher cita George Bernard Shaw, que afirmou: "Love consists of over estimating the differences between one woman and another."

...

Quem sabe...?


... Um dia alguém me acompanhará até um sítio assim.
The Dower House.

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I've got electric light
I've got second sight
I've got amazing powers of observation...